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domingo, 27 de setembro de 2009

Incerteza

Naquele ano, naquele dia,
Achei que estava tudo certo.
Mais tarde, bastante mais,
Noutro ano, noutro dia,
Ignorei tudo o que sabia
E percebi que, afinal, nada era certo,
Na incerteza dos meus
E dos teus dias!


Helena

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Deus


Porque é que uns nascem ricos
E outros nascem tão pobres?
Porque é que uns nascem bonitos
E outros nascem tão feios?
Porque é que uns são inteligentes
E outros o são tão pouco?
Porquê?
Porque o mundo não é justo,
Nem nós somos iguais.
Porque só Deus destina
Quem tem menos
E quem tem mais!

Helena

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Café e chocolate

Lembro-me ainda bem
Do primeiro beijo que lhe dei.
Teve gosto a canela
Misturada de café.
O seu corpo era musculado
Sua língua um rebuçado.
Moreno de África, tostado.
Olho verde, de azul cruzado.
Na linhagem, a mistura nórdica
Caldeava o calor adivinhado
No gingar dos movimentos
E no chocolate da pele.

Helena

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A cama desfeita

A cama estava desfeita.
Mas o lugar vazio a meu lado,
Mantinha o vago desenho
Do teu corpo abandonado
Ao meu e ao teu prazer.
Antes ofegantes corças selvagens,
Depois, aos poucos, seres pacificados.
Foi sempre assim que vivemos
A nossa história de amor.
Os lençois tinham o teu odor,
De corpo suado e perfumado.
De quem me amara inteira,
De quem me sugara a alma.
Numa entrega total.
Mas a cama está desfeita,
E o teu lugar vazio!

Helena


domingo, 19 de julho de 2009

A flor

Era uma mão pequena e franzina,
Que procurava onde se agarrar.
Dei-te a minha, muito grande.
Tu sorriste e puxaste-me
Para a porta de saída.
Querias ir para o jardim.
Levei-te até lá e sentei-me.
Fiquei a olhar enternecida,
A flor que então colheste
Para mim.
Hoje quando lá passo,
Ainda vejo os malmequeres.
Sorrio a esta lembrança,
E chego a sentir a presença
Da tua mão pequenina,
Na minha já envelhecida!

Helena


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ao Quim

Partiste hoje,
Deixando tristes
Todos os teus amigos,
Que são muitos.
Partilhámos gargalhadas
E a tua imensa alegria de viver.
A doença foi minando o teu corpo.
Mas a alma, grande, enorme,
Continuava lá, incólume,
A dar força a todos nós.
Vou lembrar-te como querias,
Bem vivo e animado.
E esperar que me recebas,
Como sempre, a sorrir,
Quando chegar a minha vez!

Helena

sábado, 11 de julho de 2009

À Rita

Ainda me lembro
Do dia em que nos conhecemos.
A Paula insistia nesse encontro,
Sabendo de antemão que ficaríamos amigas.
Gerações diferentes,
Mas um mesmo olhar
Sobre as coisas importantes,
Um mesmo riso sobre os pequenos azares
Que cada uma viveu,
Enfim, uma mesma crença
No mundo que nos cerca.
Não nos vemos muitas vezes,
Apesar do gosto imenso
De estarmos juntas.
Mas quando nos encontramos,
É sempre uma animação,
De quem retoma a conversa,
Interrompida na véspera.

Helena