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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Esse olhar

Frente a frente no comboio,
Olho para ti,
Que olhas para mim.
Baixo os olhos,
Sem saber porquê.
Vergonha ou timidez,
Penso.
Mas reajo, porque sinto
De novo, o teu olhar.
Retribuo, com coragem
E gosto de enfrentar
De novo,
A força desse mirar.
Afinal sou capaz
De perder a vergonha
E de corresponder
À tua provocação,
Ao peso do teu olhar!

Helena

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amar Paris

Como na canção, gosto de Paris,
No outono, no inverno e na primavera.
Só não gosto no verão.
Gosto de passear sem destino,
Parar aqui, ali e acolá.
Acoitar-me nos jardins e sentar-me nos bancos.
Ficar calmamente a olhar
Velhos, crianças, adultos.
Visitar museus e exposições,
Ir ao cinema e depois cear.
Rir com os amigos e depois recordar,
Como é bom estar em Paris,
E ter alguem para amar!

Helena

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tu

Sei donde venho,
Mas não sei para onde vou.
Conheço o caminho percorrido.
Mas ignoro o que me falta percorrer.
Sei do que gosto,
Mas duvido do que não gosto.
Queria saber, amor, onde estás,
Neste tempo que já foi
E naquele que ainda não é.
Para te lembrar, no que passou.
Te ter no que hoje é.
E te manter no que será!

Helena

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A contragosto

Há defeitos que não tolero
E qualidades que não suporto.
Porque estas são, muitas vezes,
Apenas o lado fácil de quem esconde,
Aquilo que lhe não convém mostrar.
Não gosto da mentira
E menos do falso pudor.
Não gosto de gente hipócrita
Mas gosto de ti, meu amor!

Helena

domingo, 27 de setembro de 2009

Incerteza

Naquele ano, naquele dia,
Achei que estava tudo certo.
Mais tarde, bastante mais,
Noutro ano, noutro dia,
Ignorei tudo o que sabia
E percebi que, afinal, nada era certo,
Na incerteza dos meus
E dos teus dias!


Helena

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Deus


Porque é que uns nascem ricos
E outros nascem tão pobres?
Porque é que uns nascem bonitos
E outros nascem tão feios?
Porque é que uns são inteligentes
E outros o são tão pouco?
Porquê?
Porque o mundo não é justo,
Nem nós somos iguais.
Porque só Deus destina
Quem tem menos
E quem tem mais!

Helena

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Café e chocolate

Lembro-me ainda bem
Do primeiro beijo que lhe dei.
Teve gosto a canela
Misturada de café.
O seu corpo era musculado
Sua língua um rebuçado.
Moreno de África, tostado.
Olho verde, de azul cruzado.
Na linhagem, a mistura nórdica
Caldeava o calor adivinhado
No gingar dos movimentos
E no chocolate da pele.

Helena