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domingo, 22 de agosto de 2010

Quem sabe?

Há dias que passam sem passar
E noites que voam num instante.
Existências que se esbroam
Num presente passado distante.
Há gente que passa e que fica
Nas vidas que cruzam a nossa,
Sem que saibamos porquê,
Ou mesmo para quê.
Mas se não há coincidências,
Porque é que elas se tornam
Lamentáveis aparências
Daquilo que realmente não são?
Somos nós que consentimos
Ou elas que se impõem?
Somos nós que desejamos o indesejável,
Ou os outros que nos mostram
O que somos e não queremos ser?
Ainda hoje não sei quem sou.
Se eu,
Se o que os outros julgam que sou.
Não é que seja importante
Ser eu ou outra qualquer.
Mas é deveras intrigante
Não saber o que se quer.

Helena

sábado, 31 de julho de 2010

Calor

Com calor desespero.
Com frio retempero.
Na contradição da vida,
O teu calor estimula
E a tua frieza destrói.
Mas eu quero o frio
E quero também o calor.
Teus.
Quero-te,
Quero-me.
Intensos,
Quentes ou frios
Seremos sempre nós!

Helena

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Encontro

Encontrei-te uma vez,
E esqueci.
Encontrei-te outra vez
E lembrei
Que já te havia esquecido.
Acaso ou destino,
Não sei.
Mais, talvez, o acaso,
Porque o destino
Se escreve.
Mas se é assim,
É caso
Para forçar o acaso
E te encontrar outra vez!

Helena

sábado, 15 de maio de 2010

Dores

As dores dos que amamos,
Doem muito mais do que as nossas,
Porque nos sentimos impotentes
Para as aliviar.
Dores de filhos, carne nossa,
Essas, sim, fazem mossa.
Não há remédios que curem
Nem mezinhas que aliviem.
Porque é sofrer cada dia,
A prestações,
Para pagar uma dívida,
Que jamais está liquidada!

Helena

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nunca sei

Nunca sei se vivi,
Ou se sonhei.
Nunca sei se te conheci,
Ou se te imaginei.
Nunca sei
O que sentiste por mim.
Nunca sei se gostei de ti
Ou daquele que sonhei
Estar no teu lugar.
Nunca sei se és verdade
Ou mentira.
Nunca sei
Se exististe
Ou se te criei!

Helena

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dádiva

À medida que envelheço,
Lembro os avós e os pais.
E também os amigos
Que já partiram.
Será medo?
Será saudade?
Ou ambos, num só nó?
Vou mais pela saudade
Dum tempo que já passou.
Porque medo da idade,
É profanar o dom imenso
Da dádiva dos anos
E da vida que se levou.


Helena

domingo, 14 de março de 2010

Amores

Quantos amores teremos tido,
Afinal, todos nós?
Uns inflamados, outros pacíficos,
E também apaixonados, idílicos.
Amores de criança,
Que desperta.
Amores de adolescente,
Que pulsa.
Amores de jovem,
Que deseja.
Amores de adulto,
Que se entrega.
Amores de velho,
Que pacificam.
Enfim, amores
Que satisfazem,
Ou que doem.
Mas amores,
Sempre amores,
Todos eles!

Helena