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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quantos mantos

Uns dias é o manto do silêncio
Que me cobre,
Outros, o manto da palavra
Que me descobre.
Contigo nunca sei qual usar
Para te prender e estar contigo.
Quantos mantos não usei já
Nesta vida de espera por ti.
Quantos mantos levantaste
Sem sequer olhar para mim?
Quantos mantos porei mais
Para que me olhes, enfim?

Helena

domingo, 4 de setembro de 2011

Imaginação

Gosto de te adivinhar,
De julgar que sei quem és.
Há anos que imagino
Como seria o nosso encontro.
Atávico no início,
Mas sublime no avanço.
Um passo, depois outro,
Mais outro ainda,
Até tocares a minha mão.
O choque da emoção
A descarga eléctrica
Do desejo contido,
Enfim liberto.
A respiração ofegante,
O odor, esse, mistura
Dos nossos corpos suados.
O teu, inerte, desliza
Para o meu lado, satisfeito.
O meu, ainda pulsante,
Mas saciado
Procura, devagar,
Anichar-se no teu.
Era assim que te via
Que nos via.
Na minha imaginação!

Helena

Vida banal

Vidas ao ritmo da palavra.
Dores ao ritmo do sofrimento.
Risos ao ritmo da alegria.
Amores ao ritmo da paixão,
Tudo sal e emoção,
Tudo dor e ambição.
Uma existência banal,
Uma vida sem igual!

Helena

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Só as mãos

Vi-te um dia,
Há muitos, muitos anos.
Não recordo, hoje, o teu rosto,
Mas lembro bem as tuas mãos.
Porquê? Não sei.
Foi sempre assim comigo,
No registo que faço
Das pessoas que conheço.
Para uns é o olhar,
Para outros a boca,
Ou até, quem sabe,
A forma de caminhar.
Para mim as mãos,
São a expressão da alma.
Fixo-as, lembro-as
Ao pormenor.
Por isso, quando ontem cruzaste
O meu caminho, nem te vi.
Mas quando, na mesa
As mãos colocaste,
Soube logo que eras tu
Quarenta anos depois,
Da data em que me deixaste.
Não sei ao que vinhas,
Decerto, apenas passaste
E paraste.
Mas as tuas mãos,
Essas, eu sei que vieram
Para que eu as tocasse.

Helena

sábado, 13 de agosto de 2011

Eu

Nunca soube bem quem sou.
Nem na luz da alegria,
Nem na sombra da tristeza.
Sei que a solidão me alumia,
E que os muros me não travam.
Por isso
Se me soltam tanto as palavras
À espera do eco que tragam,
Que me ensine um pouco mais
Do que sou
Ou daquilo que posso ser.
Sabem os outros
Mais de mim
Pelo que intuem,
Do que eu, pelo que sinto.
Estranha forma esta de existir,
De me tentar conhecer.
E de tecer o tecido
Que me envolve,
Me prende e me liberta.

Helena

terça-feira, 24 de maio de 2011

Filhos

Filhos são consequência
Do amor
Ou da imprevidência.
Filhos são fruto
Do encontro
Perene ou acidental,
Filhos são nossos
Tão pouco
Afinal!

Helena

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Como foi?

Vi-te ao longe,
Ias de mãos dadas com ela.
Mãos que um dia
Se entrelaçaram nas minhas.
Vi-te ao longe,
Tinhas um ar feliz,
Igual ao que tiveras comigo.
Como foi que te perdi,
Como foi que me perdi,
Sabendo que não consigo
Viver a vida sem ti?

Helena