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Duas ou tres coisas que julgo saber
São poucas, mas perenes.
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segunda-feira, 9 de julho de 2012
Fim de ano
Entra o ano, sai o ano
Sem que nada melhore.
A esperança diminui
E só a solidão colhe.
Bate a meia noite aqui,
Acolá já bateu
E ainda há-de bater
Noutra terra qualquer
Para quem não morreu.
Helena
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Caminho
Há um tempo pra viver
Há um outro pra morrer.
Um caminho certo
Para te encontrar,
Um incerto para te amar
Porque me não dás a mão
Porque me não hás-de guiar?
Helena
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Tempo
Julguei que o tempo
Suavizava a memória.
Julguei que o tempo
Me faria esquecer-te.
Julguei que o tempo
Me traria outros amores
Que me tornariam feliz.
Julguei que o tempo
Sarava a ferida
E me abriria a porta da vida.
Afinal, o tempo passou,
E outros amores surgiram.
Mas lá no fundo,
Foi sempre a ti
Que eu procurei
E foste sempre tu
Que eu encontrei...
Helena
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Chuva
Caminho silenciosa,
Entre a chuva que me fustiga
E o vento que me empurra.
Brinco com os meus passos,
Pedra sim, pedra não,
Saltito como em criança.
Esquecida dos anos que tenho
E da gente que me estranha.
O sol nunca me encantou.
Nem a praia me seduziu.
Gosto da cor do Outono,
Das folhas amareladas,
E do manto que elas tecem
No chão que a chuva encharca
E os meus passos espezinha.
Helena
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Natal
É no Natal que me sinto
mais frágil.
É no Natal que me fazes
mais falta.
É no Natal que relembro
os ausentes.
Foi no Natal que partiste
para sempre.
Foi no Natal que soube
quanto valias para mim.
Foi no Natal, há anos,
que me esqueci
do que era, afinal,
o Natal.
E que aprendi que, sem ti,
não há Natal!
Helena
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Fazer anos
Fazer anos
É sentir gratidão
Por tudo o que me deste,
Sabendo que te perdi.
É relembrar os bons tempos
Sentir as tuas mãos
E o teu corpo
No meu corpo.
É ter-te presente
Sabendo que estás ausente.
É ter-te sem te ter
Possuir-te sem te ver
Desfalecer por instantes
Acreditando num antes
Que para o bem ou para o mal
Nem sequer sei se foi real!
Helena
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Lembras-te?
Lembras-te?
Era um dia de inverno,
E tu não tiravas os olhos de mim
Eu, cheia de frio, aquecia-me em ti.
Bons tempos, esses,
Em que ambos nos desejávamos
E a vida parecia não ter fim.
Lembras-te?
Era uma Igreja velha,
Que todas as tardes nos acolhia
E onde os Santos velavam
Para que ninguém descobrisse
A paixão que nos consumia.
Lembras-te?
De certeza que não.
Se te lembrasses,
Já me terias pedido perdão...
Helena
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Helena Sacadura Cabral
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Para além do que sei, há aquilo que ao longo da vida aprendi. É essa aprendizagem que aqui quero partilhar convosco.
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