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domingo, 22 de agosto de 2010

Quem sabe?

Há dias que passam sem passar
E noites que voam num instante.
Existências que se esbroam
Num presente passado distante.
Há gente que passa e que fica
Nas vidas que cruzam a nossa,
Sem que saibamos porquê,
Ou mesmo para quê.
Mas se não há coincidências,
Porque é que elas se tornam
Lamentáveis aparências
Daquilo que realmente não são?
Somos nós que consentimos
Ou elas que se impõem?
Somos nós que desejamos o indesejável,
Ou os outros que nos mostram
O que somos e não queremos ser?
Ainda hoje não sei quem sou.
Se eu,
Se o que os outros julgam que sou.
Não é que seja importante
Ser eu ou outra qualquer.
Mas é deveras intrigante
Não saber o que se quer.

Helena

5 comentários:

  1. Gostei!!! Por momentos soube-me bem "não saber quem sou". Obrigado

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  2. quando nasci
    vinha comigo um envelope

    dizia
    "esmagar para viver"

    ouvi estilhaços
    abri o envelope
    com mil cacos de reflexos
    de um espelho partido

    numa linha de instrução
    "segue o teu reflexo"

    Pedro

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  3. Parabéns Helena! O quanto me identifico nestas palavras..e que gratificante é lê-la..!
    Bem Haja.
    E atrevo-me a deixar..

    Que importa o que pensam ou dizem as ocas vozes sem razão?

    Que importa que apontem o dedo, mãos que nunca tentaram fazer nada?

    Que importa as paixões que não vivi com medo de as perder?… E perdi-me a tentar encontrar-me…

    Que importa reconhecer que errámos, se não pedimos desculpa? - Pedir desculpa não é uma fraqueza!

    Que importa as noites mal dormidas, com dores nas entranhas remexidas, se não for para continuar a lutar - ainda que por vezes apeteça desistir de tudo?

    Que importa se me acusam de ausente? (desculpem, é que tenho andado demasiado ocupada a lutar pela vida…!) …a “palhaça” não está no seu melhor…!

    Que importa que me olhem da cabeça aos pés, olhos vazios ou cheio de nada?

    Nada! Não me importo absolutamente nada!

    Pois nesse nada, sei que não terão a minha cabeça nem chegarão aos meus pés…

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